26 janeiro 2019

DIABRURAS DE CORISCO NO SITIO DO TARÁ

DIABRURAS DE CORISCO NO SITIO DO TARÁ:
NA ULTIMA SEMANA DE DEZEMBRO DE 1931, LAMPIAO RETORNA DE PERNAMBUCO, COM O BANDO COMPOSTO DE 35 HOMENS E 10 MULHERES. (FONTE: BILLY JAYNES CHANDLER, pag, 161 e 176):
TOMANDO TODO CUIDADO PRA NAO DEIXAR VESTIGIOS, LAMPIAO ABEIROU O RASO DA CATARINA, INDO SAIR NA FAZENDA ARRASTA PÉ, ABAIXO DA CACHOEIRA DE PAULO AFONSO, PASSOU PELA MALHADA DA CAIÇARA E SEGUIU PARA O SITIO DO TARÁ, POIS MARIA BONITA QUERIA VER SUA PRIMA MARIA RODRIGUES.
NO CAMINHO CORISCO TINHA SE SEPARADO DO BANDO COM DOIS COMPANHEIROS, DIZENDO QUE IA PRA O JUÁ. COMBINOU COM LAMPIAO QUE VOLTARIAM A SE ENCONTRAR EM SERGIPE.
TENDO RESOLVIDO SEUS NEGOCIOS NO JUÁ, CORISCO DESCEU PRA SERGIPE. NO CAMINHO DEU UMA PARADA NO SITIO DO TARÁ. CORISCO NAO SABIA QUE LAMPIAO ESTARIA INDO PRA LÁ. CORISCO E OS DOIS COMPARSAS, TENDO COMO GUIA UM COITEIRO CHAMADO ANISIO, DO POVOADO RIACHO, CHEGARAM DE MANHÃ NO SITIO DO TARÁ E PASSARAM DIRETO PRA FAZENDA DO CEL: JESUINO, PAI DO PODEROSO JOAO SÁ, DE GEREMOABO. JA NAS TERRAS DO CORONEL, VIRAM UMA MOÇA PRENDENDO UMAS VACAS NO CURRAL. CORISCO, COMO SEMPRE BEBADO, SALTOU DO CAVALO E AGARROU A MOÇA BRUTALMENTE. A JOVEM LUTOU, DEBATEU-SE DE TODA FORMA, MAIS SEM SUCESSO. O CANGACEIRO AGARROU SEU VESTIDO E, INDIFERENTE AOS GRITOS E APELOS, VIOLENTOU A MOÇA ALI MESMO, NA BEIRA DA ESTRADA. DEPOIS FOI A VEZ DOS DOIS COMPANHEIROS. LAMPIAO DEIXOU MARIA BONITA NA CASA DA PRIMA E ESTAVA INDO ENCONTRAR-SE COM O COITEIRO ODILON CAFÉ, QUANDO VIU UM REBULIÇO, GENTE CORRENDO EM SUA DIREÇÃO, AFLITA. UM HOMEM DEU A NOTICIA:
"capitao, seus home forçou ua moradora do coroné jisuino sa, e ela é ua muie casada!".
LAMPIAO MANDOU BUSCAR OS MALFEITORES E FOI ESPERAR NA CASA DE ODILON. O ANFITRIÃO DEU OS DETALHES DO FATO. A MULHER CHAMAVA-SE ERCINIA E ERA ESPOSA DE HORACIO, QUE CUIDAVA DA FAZENDA NOVA OLINDA. ERA GENTE DO CORONEL JESUINO SA. PIOR AINDA, ERA FILHA DE PEDRO GRANDE, RESIDENTE EM SANTA BRIGIDA, HOMEM DE CONFIANÇA DO CORONEL JOAO MARIA DA SERRA NEGRA.
LOGO OS CANGACEIROS CHEGARAM ESCOLTANDO OS ESTUPRADORES. LAMPIAO E CORISCO DISCUTIRAM, EXAUSTADOS. OS CANGACEIROS FICARAM DE PRONTIDAO, ESPERANDO O PIOR. O PROBLEMA ERA GRAVE, NO ANO ANTERIOR, UM CASO SEMELHANTE TEVE UM DESFECHO FATAL, QUANDO LAMPIAO DETERMINOU QUE MATASSEM O ESTRUPADOR, O CANGACEIRO SABIÁ, RESULTANDO UM RACHA NO BANDO, POIS OS CANGACEIRO MORTO ERA GENTE DOS ENGRACIA. POREM SABIÁ ERA APENAS UM CABRA, DIFERENTE DE CORISCO QUE ERA UM GRANDE CHEFE DE GRUPO. LAMPIAO SABIA QUE MATAR CORISCO PODERIA DESENCADEAR UMA GUERRA, POIS CORISCO, ALEM DOS PARENTES, CONTAVA COM O APOIO DE TODOS OS CANGACEIROS DA REGIAO DO JUÁ, VARZEA, BREJO DO BURGO, SALGADO DO MELAO, SAO FRANCISCO E VARZEA DA EMA, OU SEJA, QUASE TODOS. LAMPIAO DECIDIU O QUE FAZER, DEPOIS. CORISCO E OS DOIS COMPANHEIROS SAIRAM SEM DIZER ATÉ LOGO.
A NOITE IA HAVER UM BAILE, O SANFONEIRO ERA O FAMOSO ZECA BOLACHINHA, DE BREJO DO BURGO. LAMPIAO DECIDIU: "cancelem a festa, tô cercado de cobra, bicho num merece festa!".
ESSE ACONTECIDO FOI DESASTROSO PARA LAMPIAO. O SITIO DO TARÁ ERA UM PONTO DE APOIO IMPORTANTE, POIS ALÍ MORAVAM TIOS, PRIMOS E AMIGOS DE INFANCIA DE MARIA BONITA, LAMPIAO SE SENTIA EM CASA. EM FACE DO OCORRIDO, O CORONEL JESUINO MANDOU DISTRIBUIR ARMAS E MUNIÇÃO COM OS MORADORES, TUDO POR SUA CONTA.
PRA NAO CRIAR EMBARAÇOS PARA FAMILIA DE MARIA BONITA, LAMPIAO DEIXOU DE ANDAR PELO SITIO DO TARÁ. A PARTIR DE ENTAO, MARIA BONITA NUNCA MAIS QUIS CONVERSA COM CORISCO. QUANTO A LAMPIAO QUE JA VINHA OLHANDO ATRAVESSADO PARA CORISCO DESDE A MORTE DE UM TABELIAO EM CURAÇÁ-BA, A PARTIR DAÍ SÓ VERIA O COMPADRE EVENTUALMENTE. QUANTO MAIS LONGE MELHOR PARA OS DOIS:
FONTE: GRANDE ESCRITOR E PESQUISADOR DO CANGAÇO, JOAO DE SOUZA, "A TRAJETORIA GUERREIRA DE MARIA BONITA, A RAINHA DO CANGAÇO", pag. 38 e 41:
MATERIA COLHIDA DA OBRA DE JOSE BEZERRA LIMA, "LAMPIAO A RAPOSA DAS CAATINGAS", pag. 408 e 409:

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